SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS
DO ESTADO DA PARAÍBA
NOTA DE REPÚDIO
No último dia 10 de outubro, os agentes de limpeza urbana da LimpFort Engenharia Ambiental (empresa prestadora de serviços à Prefeitura Municipal de João Pessoa) realizaram paralisação por não terem recebido seu salário de setembro e uma parte do vale-alimentação até aquele dia.
O movimento iniciou às 06h, com o piquete organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana da Paraíba (SindLimp), e foi acompanhado de perto todo o tempo pela Polícia Militar. Por volta das 13h, cinco viaturas se encontravam em frente à empresa, quando um reforço de quatro viaturas chegou ao local, totalizando mais de 20 agentes sob o comando do tenente Queiroz do 5º Batalhão da PM.
Imediatamente, os policiais partiram para dispersar o piquete, quando então o jornalista Rafael Freire (assessor de imprensa do SindLimp e diretor do Sindicato dos Jornalistas), que fotografava a ação policial, foi abordado pelo soldado “De Sousa”, alegando que não autorizava ser fotografado. Rafael se apresentou como jornalista e, quando o policial tentou-lhe arrancar a câmera das mãos, outro soldado não identificado o agrediu com uma “chave-de-braço” e o levou em direção a uma viatura, sob a ameaça de “vou quebrar seu braço”, a cada vez que o jornalista pedia para ser solto. Por fim, Rafael ainda foi jogado ao chão antes de ser trancado dentro da viatura.
A repressão, no entanto, não se limitou ao assessor de imprensa. Emerson Lira (outro funcionário do SindLimp) e mais dois agentes de limpeza da própria LimpFort também foram detidos nas viaturas, onde permaneceram por cerca de 20 minutos. Fora as detenções, os policiais distribuíram pancadas a cassetete nos manifestantes, ferindo oito pessoas: Aline Leite, Maysa Morais e Rafael de Freitas, da Associação Paraibana dos Estudantes Secundaristas; Tiago Medeiros, diretor da União Nacional dos Estudantes; Jozivan Antero, do Movimento Luta de Classes; e mais três agentes de limpeza da LimpFort.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba se solidariza com seu diretor e com todos os grevistas e apoiadores da paralisação da LimpFort, pois nada mais fizeram do que ir à luta pelo direito de sobreviver, de receber o minguado salário pelo trabalho que prestaram à empresa.
Ao mesmo tempo, repudiamos veementemente todas as agressões cometidas, que vão desde o cerceamento à liberdade de expressão e de imprensa até ao crime puro e simples de agressão física e de encarceramento injustificado. A Polícia Militar deve agir sobre aqueles que cometem crimes e não contra trabalhadores que protestam pacificamente.
Cobramos as devidas providências das autoridades estaduais para a punição dos policiais envolvidos e uma profunda apuração das ações desta corporação, que, por mais uma vez, agiu como instrumento de interesses privados e não da defesa dos interesses da população.
A DIRETORIA