NOTA DE REPÚDIO SOBRE AGRESSÃO A DIRETOR SINDICATO DOS JORNALISTAS

Publicado em 15 de outubro de 2009

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS
DO ESTADO DA PARAÍBA

 

NOTA DE REPÚDIO

 

 

No último dia 10 de outubro, os agentes de limpeza urbana da LimpFort Engenharia Ambiental (empresa prestadora de serviços à Prefeitura Municipal de João Pessoa) realizaram paralisação por não terem recebido seu salário de setembro e uma parte do vale-alimentação até aquele dia.

O movimento iniciou às 06h, com o piquete organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana da Paraíba (SindLimp), e foi acompanhado de perto todo o tempo pela Polícia Militar. Por volta das 13h, cinco viaturas se encontravam em frente à empresa, quando um reforço de quatro viaturas chegou ao local, totalizando mais de 20 agentes sob o comando do tenente Queiroz do 5º Batalhão da PM.

Imediatamente, os policiais partiram para dispersar o piquete, quando então o jornalista Rafael Freire (assessor de imprensa do SindLimp e diretor do Sindicato dos Jornalistas), que fotografava a ação policial, foi abordado pelo soldado “De Sousa”, alegando que não autorizava ser fotografado. Rafael se apresentou como jornalista e, quando o policial tentou-lhe arrancar a câmera das mãos, outro soldado não identificado o agrediu com uma “chave-de-braço” e o levou em direção a uma viatura, sob a ameaça de “vou quebrar seu braço”, a cada vez que o jornalista pedia para ser solto. Por fim, Rafael ainda foi jogado ao chão antes de ser trancado dentro da viatura.

A repressão, no entanto, não se limitou ao assessor de imprensa. Emerson Lira (outro funcionário do SindLimp) e mais dois agentes de limpeza da própria LimpFort também foram detidos nas viaturas, onde permaneceram por cerca de 20 minutos. Fora as detenções, os policiais distribuíram pancadas a cassetete nos manifestantes, ferindo oito pessoas: Aline Leite, Maysa Morais e Rafael de Freitas, da Associação Paraibana dos Estudantes Secundaristas; Tiago Medeiros, diretor da União Nacional dos Estudantes; Jozivan Antero, do Movimento Luta de Classes; e mais três agentes de limpeza da LimpFort.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba se solidariza com seu diretor e com todos os grevistas e apoiadores da paralisação da LimpFort, pois nada mais fizeram do que ir à luta pelo direito de sobreviver, de receber o minguado salário pelo trabalho que prestaram à empresa.

Ao mesmo tempo, repudiamos veementemente todas as agressões cometidas, que vão desde o cerceamento à liberdade de expressão e de imprensa até ao crime puro e simples de agressão física e de encarceramento injustificado. A Polícia Militar deve agir sobre aqueles que cometem crimes e não contra trabalhadores que protestam pacificamente.

Cobramos as devidas providências das autoridades estaduais para a punição dos policiais envolvidos e uma profunda apuração das ações desta corporação, que, por mais uma vez, agiu como instrumento de interesses privados e não da defesa dos interesses da população.

 

A DIRETORIA

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